Once upon a time, there was this girl whose dreams were taken nearly under her nose... What no one knew, not even she, life had given her wings since she was born... Curiously she only found out how to use them after that! Since then...she promised to herself to follow the dreams wherever her wings let her to! So that's my spot!

Saturday, 6 August 2016

Getting to the point! :)

1 ano já passou desde que a aventura começou naquele que é actualmente o meu local de trabalho. Várias vezes falei sobre como a mudança me fez sentir, como me sentia crescer a cada dia.
Volto a sentir necessidade de falar sobre isso mesmo. 
Honestamente, a vontade de escrever sobre o que se vai passando deste lado, muitas vezes esmorece. Seja por andar mais ocupada e distrair-me mais facilmente com outras coisas... Seja porque simplesmente não me apetece escrever... Seja até, e lamento-o cada vez que me passa pela pensamento, o que poderá causar em quem lê, e que julgamentos poderão advir daí. Mas até em relação a isso uma pessoa cresce... Realmente há coisas demasiado intensas para escrever e que poderia não passar para a escrita divulgada... :)
Ora, mas hoje a vontade de partilhar prende-se com aquilo que me fez voar até Londres.

Há um dia ou dois atrás, tive a oportunidade de cuidar do ser mais pequeno que alguma vez me passou pelas mãos. Meio quilo de gente, mais propriamente 608 gramas. Passam-te o turno, dizem-te que a criança tem 15 dias de vida, nasceu com quase 27 semanas (portanto já tem 29 corrigidas). Até aqui tudo bem... Quando te dizem que é IUGR (Intra-uterine growth restrition), já começas a desviar o olhar para o papel onde estará escrito o peso... Mas antes olhas para dentro da incubadora e tentas descobrir aquele pedaço de vida no meio de um ninho feito de lençóis e fraldas de tecido e tubos... Ok, é pequenino... Mas, 600gramas? 
Nunca em 13 anos de enfermagem cuidei de tão minúsculo fio de vida. As lágrimas vem-me aos olhos. Não porque estou com receio de não ser capaz de o fazer... Eu acredito em mim! Mas porque quando há uns anos atrás senti que era isto queria fazer na vida, não tinha a real percepção do que seria um bebé tão pequenino. Um bebé cujos braços e pernas conseguem ser do mesmo diâmetro dos meus dedos das mãos. Tudo o que é pézinho, mão, parece ser tão minúsculo que nem o equipamento parece ter tamanho adequado. Foi um grande desafio. Este sim! Não foi a parte de lidar com o suporte ventilatório porque felizmente o "meu" bebé é um guerreiro e portou-se lindamente, muito estável praticamente o tempo todo. Não sei como, quando voltei a dar por mim e descer com os pés à unidade...já não me sentia tão assustada. E pronto, desafio de pequenez ultrapassado! 
Quando consegues que 600gramas te imponham este tipo de respeito e ainda nem aos cuidados intensivos chegaste, estás a crescer, sabes que sim! 

Obviamente que teres contigo uma equipa que te pergunta quase de hora a hora: "Borgas, are you ok there?" dá-te um suporte emocional brutal! 


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