Dou comigo muitas vezes a reflectir sobre a minha maneira de ser, a minha personalidade, o modo como me apresento ao mundo, as minhas atitudes perante a realidade que me rodeia...
Desde sempre me lembro de ouvir a minha mãe dizer-me que facilmente me deixava influenciar pelos outros, como se não conseguisse ter as minhas decisões com autonomia. Até há um tempo atrás ficava zangada com isso, porque tomava aquela afirmação como algo negativo (o que não deixaria de ser em algumas ocasiões). Hoje quando penso nisso, considero que não havia razão para me zangar pois acredito que essa constatação da minha mãe não estava de todo errada. Sinto que em alguns períodos da minha vida, as minhas deciões baseavam-se naquilo que poderia ser uma tentativa de agradar os outros, não para que fosse aceite, mas porque não queria desapontar ninguém. A intenção julgo que sempre foi a do bem dos outros e não tanto a busca de aceitação.
Como qualquer ser humano, já passei por diversas situações que puseram à prova a minha capacidade de adaptação. Momentos menos bons todos temos. No entanto, bom e mau (ou menos bom) é relativo. Aquilo que para mim pode ser espectacularmente agradável, para outra pessoa poderá ser pouco importante.
Isto tudo para dizer que, muito do que tenho vivido nos meus últimos 15 a 20 anos de vida modificou a personalidade que eu achava ter construído na pré-adolescência/adolescência!
Aos 15/16 anos, desejei coisas, momentos, pessoas que achei estarem fora do meu alcance! Desejei ser assim, sentir isto e aquilo, poder fazer assim e assado, ir aqui e ali... Desejei pessoas na minha vida, concretizaram esse desejo e roubaram-me metade... Construí sonhos, destruiram-me os sonhos... Planeei momentos e situações de vida, tiraram-me o tapete debaixo dos pés...
Acreditei que o Pai Natal existe embora ele apenas nos visite no dia da festa da família... Aprendi que para alguns o Natal é aquele dia cuja rotina é o que sempre foi e que para ser família é preciso muito mais do que amar (acho que nunca saberei o que faltou)...
Lidei com pessoas com possibilidades económicas diferentes, pessoas com níveis de educação muito díspares, pessoas com graus de ensino também eles diferentes... Fui algumas vezes elogiada pelas pessoas de quem cuido diariamente assim como também fui "destratada" por outras pessoas de quem também cuidei igualmente com o mesmo zelo! Pude comprovar que muitas vezes as pessoas têm mais dinheiro no banco do que tem educação em casa...
Aprendi que todos crescemos, mas cada um a seu ritmo... E que os timings podem muito bem comprometer a felicidade das pessoas, sem que tenhamos culpa disso. Por algum motivo há bebés que decidem nascer no tempo previsto, outros nascem mais cedo e outros ainda nascem mais tarde. Cada um no "seu" tempo!
Toda esta confusão de pensamento para dizer que... Se eu tivesse vindo para Londres há 12 anos atrás, se nunca tivesse vivido e trabalhado em Lisboa...muito do que acontece agora aqui me faria voltar para o meu país! E se assim fosse, eu desistiria daquilo que está a ser um sonho tornado realidade!
Para sermos duros e aguentarmos algumas "pequenas" adversidades, é preciso que a vida nos dê várias batalhas de preparação para o futuro! Muito ainda poderá acontecer no próximo ano, mas tenho em mim que eu hoje sou fruto de tudo o que tenho vivido. Graças a isso , tentativas de me tornarem insignificante ou porem à prova a minha capacidade de ficar zen só me darão mais força! A questão que permanece na minha mente é apenas esta:
"Do not judge me! You don't know me and where I come from...
I don't know you and even if I did...I would never judge you neither!"

Gosto de te ler...fazes-me descer a terra e crescer :)
ReplyDeleteAbracinho daqueles ❤️